sábado, 12 de novembro de 2011

Desculpas e Culpas - p / mulheres (interessante)

Por Miriam Goldenberg


    Tenho observado entre as mulheres brasileiras algo que pode ser chamado de "cultura da culpa". Elas usam justificativas para fazer ( ou deixar de fazer) o que precisam ou o que querem.
    Alguns exemplos: "Amor, hoje não dá, estou com uma TPM horrorosa"; "Sair? nem pensar,estou sem roupa"; "preciso fazer ginástica,mas não tenho tempo"; "Lógico que estou irritada, você não me ajuda a cuidar das crianças !".
   Outras típicas desculpas: " O trabalho está acabando comigo. Não tenho energia para mais nada"; "Sou difícil mesmo. Toda minha família é assim. É genético".
    Muitas se colocam como vítimas que apenas reagem ao que lhes é imposto pela natureza ou pela cultura. Culpam hormônios, trabalho e família por um temperamento difícil, intolerante e até agressivo.
    Os homens que pesquisei criticam o que consideram um comportamento manipulador das mulheres.
    Um analista de sistemas,de 43 anos diz, "Minha mulher tem mania de perfeição. Fica estressada quando as coisas não saem como ela quer. Reclama que não ajudo em casa, mas, quando tento, ela diz que sou incompetente, porque não fiz do jeito dela. É autoritária, mandona".
    Por trás da dominação feminina está a "mania de perfeição" das mulheres.
    Como disse um jornalista de 38 anos: "Não sei como satisfazer a minha mulher. Ela está sempre exigindo tudo perfeito. É obsessiva. Se não está ocupada,se sente culpada. Nunca relaxa. Cobra de mim e dos meninos, mas cobra muito mais dela mesma. Está sempre se comparando com outras para ganhar alguma competição de mulher - maravilha. E as amigas dela são iguais. Insuportáveis!".
    É indiscutível que as mulheres brasileiras estão sobrecarregadas,exaustas.
    É verdade que os hormônios deixam as mulheres malucas e que alguns homens sabem ser irritantes.
    É verdade também que a busca insana de perfeição tem atrapalhado a vida de muitas mulheres.
   Jean Paul Sartre escreveu: "Não importa o que a vida fez de você,o que importa é o que você faz com o que a vida fez de você".
    Em outras palavras, para usar uma idéia meio fora de moda, temos livre - arbítrio para construir a nossa vida, não somos apenas produto da sociedade, da família, dos hormônios etc.
    Sem culpa ou desculpa, tente responder: depois de décadas de luta pela liberação feminina, o que nós, mulheres, fazemos com o que a vida fez de nós?
                     
Miriam Goldenberg é antropóloga e professsora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
 Autora  de "Coroas: Corpo, Envelhecimento,Casamento e Infidelidade" ( Ed. Record)                     
                                                                                     

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