quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Preguiça levada a sério

"Observe, contemple. Parar para pensar o fazer automático - é disso que se tem preguiça hoje".

Todos os homens dividem-se, em todos os tempos e também hoje, em escravos e livres; pois quem não dispõe de dois terços do dia para si é escravo, não importa o que seja: estadista, comerciante, funcionário ou erudito.”
Friedrich Nietzsche


Por que a preguiça?


A pergunta é na exata proporção da importância de uma atividade esquecida, pois classificada, irrefletidamente, como inatividade. Na exata proporção em que se aceita a preguiça, tão prontamente, indexada entre os pecados capitais (o termo, aqui, em ambos os seus sentidos), ao mesmo tempo em que se marginaliza toda uma linhagem reflexiva que quis dar ao tempo outro sentido (pois, enfim, é disso que se trata) – “tempo” avesso a sentidos, em que o pensamento assume novo tom: o sem finalidades, e, não por isso, menos criador; não, pelo menos, segundo Tales, Sêneca, Platão, Aristóteles, Montaigne, Jean-Jacques Rousseau, Charles Baudelaire, Paul Lafargue, Walter Benjamin, Bertrand Russel, Wittgenstein, Michel Foucault, T. S. Eliot, Bob Black, Bernardo de Guimaraens, Mário Quintana.
Enfim, uma frase de autoria de Albert Camus dá conta da subversão implícita ao tema: “São os ociosos que mudam o mundo porque os outros não tem tempo algum”, o que é uma forma espirituosa de suscitar perguntas, cujas inflexões permeam todas as conferências integradas ao evento: “O que se deve fazer?” Ou: “O que estamos fazendo de nossas vidas; de nossas vidas em sociedade?” Ou ainda: “Deve-se fazer sem pensar o que se faz?”.
    Para quem quiser se aprofundar nessa que é também uma questão Antropológica além de Filosófica,pode ler o "Manifesto contra o Trabalho"

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